O sofrimento e sua mensagem

Não temos conhecimento da mudança que precisamos fazer, não a entendemos ou não queremos entendê-la. Dessa forma, nasce o conflito e o sofrimento que perdurarão até que tenhamos consciência da necessidade do desenvolvimento que nos é exigido, e que o aceitemos.

Podemos nos referir ao sofrimento como uma crise, uma perturbação que mostra uma escolha a ser feita, um obstáculo a ser superado, um bloqueio a ser desbloqueado, e para os quais estamos inconscientes. Possuímos uma consciência muito pequena sobre nossa vida, em relação ao enorme e profundo campo do inconsciente. O inconsciente é nosso passado, instintos ancestrais, nossas pulsões e traumas reprimidos, mas, também, nosso futuro, as potencialidades mais elevadas e a dimensão transpessoal e espiritual, que estão latentes à espera de se manifestarem.

Devemos perceber o dualismo, em nossa natureza, a parte material: mecânica e condicionada, e a parte espiritual, que é livre e autoconsciente.

A dor funciona como impulso que leva o homem ao despertar de seus potenciais e à tomada de consciência de si mesmo. É na dor, na tragédia e no perigo, que se revela o grau de amadurecimento de cada ser. Se a pessoa estiver pouco evoluída, manifesta indolência, covardia, egoísmo e crueldade.

O sofrimento nos conduz para dentro de nós mesmos, para tomarmos consciência de nossa fraqueza interior e de nosso potencial interno a ser desenvolvido.

Na Terra, temos o propósito de realizar nosso processo evolutivo e de despertar a verdadeira consciência. Quando compreendemos a mensagem evolutiva, aprendemos a usar a dor como meio de crescimento e transformação.

Nesse sentido, temos a necessidade de desenvolver a verdadeira consciência e de libertar nosso inconsciente dos padrões repetitivos, e de aceitar o sofrimento como uma tarefa necessária para nosso desenvolvimento interno. Para nos conhecer melhor, devemos usar as reações subjetivas para ter a compreensão dos obstáculos internos e das potencialidades latentes.

À medida que a pessoa se aprimora e se autorrealiza, liberta-se de todos os condicionamentos e das “máscaras”, que sufocam o verdadeiro ser. O verdadeiro ser possui as qualidades superiores como o heroísmo, a coragem, o amor altruísta, a criatividade e a intuição, que são sempre potenciais, que se manifestam em situações de emergência e de necessidade absoluta.

Quando nos sentirmos impotentes diante do sofrimento, de nada adiantará se rebelar ou lutar para sair da situação. A cura se dá, por meio do abandono, do silêncio, da receptividade e da confiança de que existe em nós uma realidade superior, que se manifestará a partir do momento em que colocarmos à parte nosso lado limitado.

Devemos aceitar a realidade como ela se apresenta, sem negá-la, buscando entender a mensagem evolutiva, sem interferência pessoal para resolvê-la. A aceitação é uma atitude positiva, nos pensamentos e ações. Ela é um estado de consciência alcançado. A aceitação é a meta indispensável para iniciar um processo de libertação do sofrimento.

Para alcançarmos esse estado de aceitação, é fundamental nos aceitar. Por meio da interiorização, do silêncio e da observação de nós mesmos, entramos em um estado de calma, de confiança e de escuta, para darmos acolhimento a todos os acontecimentos.

Temos de ficar atentos, presentes, receptivos, abertos, manter silêncio, escutar, mas sem a expectativa de obter respostas racionais. A resposta virá como uma sensação inesperada de alegria, com um estado interior de paz e serenidade, com uma intuição imprevista, com a manifestação de uma qualidade antes não conhecida, com uma visão ampla e real da vida. É a partir desse momento, que se inicia um processo gradual de libertação do sofrimento e a ampliação da consciência.

Anete L. Blefari
anete@sermelhorepleno.com.br
www.sermelhorepleno.com.br

Referência

BATÀ, Angela Maria La Sala – O Caminho para a Libertação do Sofrimento – 10ª. Ed.- São Paulo 2009 – Editora Pensamento.



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