Dissonância Cognitiva

Muito sofrimento advém de tensões geradas por nossas dissonâncias diárias e pela incapacidade de nos adequar ao momento presente e equilibrar desejos impossíveis.

Primeiramente, vamos conhecer o significado das palavras, para uma melhor compreensão.

Dissonância:  falta de harmonia, discordância entre duas ou mais coisas.

Cognitivo: processo de aquisição de conhecimento (cognição). A cognição envolve: pensamentos, linguagem, percepção, memória, raciocínio, aprendizagem, atenção, tomada de decisão, etc.

Problemas Cognitivos:

– dificuldade de concentração, atenção

– perda de memória ou dificuldade para lembrar-se das coisas

– problemas com a compreensão e entendimento

– dificuldades com o julgamento e raciocínio

– habilidades prejudicadas

– problemas na execução de várias tarefas

– mudanças comportamentais e emocionais

– confusão

A dissonância cognitiva é uma teoria comportamental feita por Leon Festinger, psicólogo americano, em 1957. Psicologicamente, a dissonância pode causar desconforto, frustração e agressividade. Quando as informações ou soluções se direcionam, contrariamente, às nossas cognições, passamos por um estado de dissonância cognitiva. Nossa mente vai buscar três meios, a saber:

– mudar o comportamento

– mudar o ambiente

– abandonar a dissonância

Como interpretamos o mundo é, muitas vezes, o que nos faz sofrer, independente da realidade objetiva externa. A forma de interpretar o mundo se origina em nossas crenças sobre nós mesmos, advindas de nossas experiências e sobre nosso meio social.

Os significados e o sentido que damos à nossa vida são criados por nós mesmos. Como não conseguimos modelar o mundo externo para que corresponda aos nossos desejos e caprichos, sentimos a necessidade de transformar nosso mundo interno (pensamentos, crenças, preferências, desejos, etc.) para manter a saúde mental.

Quando sentimos tensão interna entre nossas convicções, ideias, crenças e comportamentos, entramos em conflito.

– fumar ou beber – mesmo sabendo que pode causar doenças e a redução do tempo de vida;

– comer em demasiado – mesmo sabendo que pode engordar ou adoecer;

– não praticar atividade física ou mental – mesmo sabendo que o sedentarismo e a indolência podem prejudicar.

Essas desagradáveis tensões, entre pensamentos contraditórios ao mesmo tempo, são conhecidas como dissonâncias cognitivas, que podem gerar ansiedade, angústia, culpa e vergonha. A dissonância é uma reação físico-emocional estabelecida em nossos circuitos neuronais. Simplesmente, não podemos evitá-la, quando o mundo nega a cumprir seu dever e não atende nossas expectativas.

É insuportável, para nós, manter dois pensamentos antagônicos ou incompatíveis, e, então, justificamos. Conforme Robert Feldman, a dissonância cognitiva é um dos fatores essenciais para compreender o funcionamento do autoengano. Somos obrigados a mudar nossos sentimentos, a distorcer o que pensamos, quando nossas opiniões, comportamentos e crenças são contraditórios. Essa mudança de pensamentos, desejos, crenças e reavaliações de critérios e valores é um mecanismo natural da mente humana. Costumamos inventar estórias sobre nós mesmos para poder viver. Com essas estórias, reafirmamos nossas crenças para nos justificar.

O que podemos fazer para resolver a dissonância?

– eliminá-la ou evitar situações e informações que podem aumentá-la;

– reduzir a dissonância se autojustificando, criando novas razões ou justificativas para endossar nossa decisão ou comportamento.

Para voltar à harmonia, na próxima vez que sentir tensão interna, coloque-se presente e observe seus pensamentos, questione-os e aprenda a questionar tudo que lhe dizem como verdade. Se não conseguir uma prova, não acredite em uma só palavra.

Anete L. Blefari
anete@sermelhorepleno.com.br
www.sermelhorepleno.com.br

Referências:

FERNANDEZ, Atahnalpa e Marly – Sobre a dissonância cognitiva, o autoengano e a ignorância autoimposta.

MARTINS, Renato P.  – Ciência e a dissonância cognitiva



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