Dependência Emocional: codependência

Muitas pessoas, em nome do amor, fazem coisas pelos outros que eles mesmos poderiam fazer. Não permitem que eles passem por suas dificuldades para que se desenvolvam plenamente. Desta forma, estão proporcionando sérios problemas para o outro e para si mesmas. Semelhantes atraem semelhantes e assim essas pessoas vão se relacionar com outras que gostam de ajudá-las. Uma age como a forte, a protetora, ajudando para se sentir útil ,e o outro como o protegido, o fraco. Uma se sobrecarrega e sente-se oprimida e com raiva. O outro sente-se fraco e também sente raiva da pessoa que o ajuda.

Ninguém é responsável pela vida de outro adulto, apenas com bebês, que ainda são totalmente dependentes de adultos. Querer se responsabilizar com o bem-estar de outros adultos gera-se uma dinâmica fora da ordem, disfuncional e cria-se mais problemas.

Quantas pessoas há que se sentem responsáveis por tudo que o outro deve fazer, desde acordar pela manhã, comer, levar a toalha para o banho, ministrar remédios, etc… É uma dinâmica disfuncional onde funciona um padrão emocional de comportamento dependente, o protetor e o protegido, o adulto e a criança. Mesmo com crianças, devemos ir dando a liberdade para elas fazerem as coisas sozinhas assim que vão crescendo. É saudável deixar o outro crescer e ser independente. Temos o compromisso por nossas vidas e não pela vida dos outros.

A codependência foi descoberta nos Estados Unidos, na década de 80, com o tratamento oferecido a dependentes químicos. Enquanto os dependentes químicos estavam em ambientes protegidos de tratamento, estabilizavam sua doença, mas quando retornavam para casa, a maioria deles, recaia.

Por que? Os profissionais foram estudar a família e descobriram que o dependente químico era um sintoma da doença da família. A família também estava doente e precisava se tratar, equilibrar suas emoções, mudar comportamentos disfuncionais, parar de controlar o outro, etc…

A definição de codependência, para profissionais que trabalham a família como um sistema, é “a necessidade imperiosa de controlar pessoas, comportamentos, eventos, circunstâncias na expectativa de controlar suas próprias emoções.” Ela é uma síndrome emocional, cujos principais sintomas são culpa, raiva, frustração, ansiedade, insegurança, baixa autoestima, vergonha, etc… O codependente desenvolve comportamentos compulsivos com relação ao sexo, alimentação, trabalho, dinheiro (gastos excessivos), álcool ou outras drogas na tentativa de controlar seus sentimentos interiores.

Vivem em função dos outros a quem querem controlar e mandar. O codependente acredita que é responsável pela felicidade e necessidade dos outros. Emocionalmente dependentes dos outros, não conhecem a sua realidade, não conseguem estabelecer os seus limites e perdem totalmente a sua identidade, já que passam a viver a vida do outro. O codependente se liga ao outro de uma forma errada, distorcida, tentando impor o seu comando, desrespeitando limites, manipulando e ditam as regras e normas que a outra pessoa deve seguir na vida. O codependente chega até a comprar ou pagar o vício do dependente, temendo perder o controle do sujeito subordinado.

Por isso, é de fundamental importância que dependente químico e familiares se tratem para estabelecerem um novo modo de viver suas próprias vidas, saudavelmente.

Anete L. Blefari
anete@sermelhorepleno.com.br
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